Niko
Chamo-me Niko, e nos últimos doze anos passo mais tempo a dez mil metros de altitude do que no solo. Sou piloto de Boeing 777. Atualmente voo na variante 777-300ER. As rotas Dubai - Banguecoque, Frankfurt - Tóquio, Londres - Singapura não são apenas linhas num diário de bordo, são o mapa da minha vida. Cada vez que o trem de aterragem toca numa pista desconhecida, algo dentro de mim faz clique.
A escala é um presente. Dezoito horas em Banguecoque. Trinta e seis em Amesterdão. Não as passo no hotel à beira da piscina. Ainda de uniforme, com a mala a tiracolo, saio para a cidade e começo a andar. Simplesmente andar. Sem rota, sem plano para três dias. Em Osaka encontrei um bar de ramen do tamanho de uma cabine de comboio - oito lugares, o dono cozinha sozinho, a fila espera em silêncio. Foi o melhor que comi nesse ano.
Neste site escrevo exatamente sobre isso. Não sobre as atrações dos guias turísticos, mas sobre o que se consegue ver em tempo limitado, desde que não se perca tempo. O mercado de Marraquexe antes das sete da manhã, quando ainda não há turistas. A cafetaria certa em Helsínquia, à qual os locais se dirigem a pé no frio. O bar em Hong Kong onde o barman conhece toda a gente pelo nome, menos a mim - e isso é completamente normal.
A profissão ensinou-me uma competência importante: ler um espaço desconhecido de forma rápida e precisa. Na cabine não há margem para hesitação. Nas ruas de uma cidade estranha acontece o mesmo. Entro, observo, memorizo os detalhes. Depois conto tudo aqui.
Se também passas mais tempo em trânsito do que o previsto, ou simplesmente queres saber o que se consegue fazer em vinte e quatro horas numa cidade desconhecida - chegaste ao sítio certo. Bem-vindo a bordo.
E permitam-me um humor negro: agora que voo para o Médio Oriente, as escalas são cada vez mais frequentes. Piada de mau gosto, pois é. Mas os tempos que correm pedem exactamente esse tipo de humor.